terça-feira, 20 de setembro de 2011

JOEL LEITE: QUEM PERDE: CHINÊS, COREANO OU LUXUOSO? É VOCÊ!


Por Joel Leite,


especial para Autoesporte






O governo atendeu as montadoras e impôs um pesado imposto aos carros importados: aumento de 30 pontos percentuais do IPI. O imposto do carro 1.0, por exemplo, sobe de 7% para 37%. Carro acima de 2.0 vai pagar 55% de IPI.
Mas os fabricantes não eram contra o aumento de imposto? Pois é, mas desta vez eles comemoraram.

O governo usou uma estratégia para que o imposto não seja considerado inconstitucional como dupla taxação, uma vez que já é cobrada dos importados a alíquota de importação de 35%. A medida, em tese, taxa todos os carros, e retira o aumento do IPI para carros que com até 65% de nacionalização, quer dizer: todos os carros fabricados no Brasil.

Mas os maiores importadores são as próprias montadoras: elas trazem 75% dos carros estrangeiros vendidos no Brasil. Porém esses carros não serão taxados, porque eles fazem parte dos acordos com o Mercosul e do México.

Então pra quem é esse imposto? Para os importados dos EUA, Europa e da Ásia, mas principalmente para os chineses e coreanos, que chegaram trazendo carros baratos e equipados, forçando os fabricantes a baixarem os preços e equiparem os seus produtos.O remédio foi muito forte, pois a tal invasão chinesa é uma falácia. Os chineses representam apenas 2% do mercado.

Agora os carros fabricados no Brasil estão duplamente protegidos. O resultado da medida do governo será imediato. Portanto não estranhe se nos próximos dias os carros que baixaram de preços para disputar o mercado com os chineses voltarem ao preço “normal”, isto é: mais alto, e sem equipamentos.

Por outro lado, veja o que vai acontecer com chineses, coreanos e modelos de luxo como Mercedes, BMW, Audi e as linhas complementares das montadoras instaladas aqui.
Os importadores ainda estão fazendo as simulações para definir os novos preços, mas calcula-se que a inclusão dos 30 pontos de IPI vai resultar num aumento entre 25% e 28% no preço final.

Claro que a queda de preço não será linear, pois muitas marcas têm gordura pra queimar e podem absorver parte do prejuízo. Mas considerando um aumento de 25%, o importado mais barato do Brasil, o Chery QQ, vai ficar R$ 6 mil mais caro, passando de R$ 24 mil para R$ 30 mil a partir de hoje. O Face, da Chery, subiria de R$ 33 mil para R$ 41,2 mil e o J3, da JAC, de R$ 37,9 mil para R$ 47,4 mil.

As boas vendas do Soul e do Cerato, que estavam incomodando os concorrentes mesmo pagando 35% de alíquota, certamente vão cair com esse 28% de aumento. O Soul deverá custar R$ 73,8 mil a partir de hoje e o sedã Cerato R$ 66,8 mil (custava R$ 53,4 mil até ontem). Já o preço do Sportage poderá subir de R$ 83,9 mil para R$ 105 mil e o Hyundai ix35, que custava R$ 85 mil agora pode chegar a R$ 106 mil. Também os carros de luxo serão sobre taxados e poderão aumentar o preço em torno de 25%.

Então, qual será o resultado real da medida anunciada pelo governo com o objetivo de “inovar a indústria nacional”?
Raciocine comigo: o carro importado vai subir de preço. O carro fabricado no Brasil, sem concorrentes que o incomodavam, também vai subir de preço. Conclusão: o carro em geral, importado ou fabricado aqui, vai ficar mais caro. Quem vai pagar a conta da tal inovação é você.

21 dos 40 importados mais vendidos são das montadoras. A maior parte os carros estrangeiros vendidos no Brasil vem da Argentina e do México, trazidos pelas montadoras que têm fábrica no Brasil e portanto não pagam imposto de importação de 35% e também estão livres da nova alíquota de IPI, anunciara ontem pelo governo.

Segundo o governo, a medida tem por objetivo defender a indústria nacional, portanto exige 65% de nacionalização dos carros importados. Ocorre que os carros trazidos da Argentina e do México não cumprem essa exigência.

Além de representar apenas 25% das importações, as marcas filiadas à Abeiva (que recolhem a taxa de importação e estão sendo sobre taxadas pelo IPI de até 55%), não têm maioria na lista de vendas por modelo.

No ranking dos importados mais vendidos no Brasil, 21 são das montadoras (não pagam imposto) e 19 são das marcas filiadas à Abeiva (pagam imposto).




Um comentário:

Anônimo disse...

COISA FEIA, UM PAÍS QUE NÃO É DE GENTE HONESTA MESMO.